Talvez aquele garoto bonitinho que você tanto deseja, talvez ele não seja o suficientemente bom pra você.
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Ninguém quer acreditar que está ligado ao outro, especialmente no amor. Porque isso dói pra cacete. Talvez mais do que qualquer outra coisa no mundo. Te atinge no peito. Te faz sentir enjoada. Te faz senti burra. Muito, muito burra. Então a melhor coisa que alguém tem a fazer numa situação desta é: Fingir que não foi pega de surpresa. Fingir que sempre soube de tudo. Fingir que nunca aconteceu. Começar tudo outra vez. E desta vez, jurar para si mesmas, nunca mais. Nunca mais vou cair no mesmo truque de novo. Mas vai.
Oi, meu nome é Elena. Sebastian, não é?

Nota:

Oi gente!

Então, a web acabou e eu quero agradecer a todos que me acompanharam até aqui. Não tenho palavras para agradecer a todos vocês, de verdade. Muitíssimo obrigada. Vocês são incríveis!

Primeiro quero dar algumas informações sobre a nova web. Como eu disse uma vez, ela vai ser totalmente diferente da minha primeira web e espero que vocês gostem.

E como é uma nova web, eu pensei em mudar o nome da URL. Eu vou mudá-la em alguns dias, a nova URL vai se chamar re-movida.

E eu ainda não tenho uma previsão certinha de quando irei postar a nova web, mas acredito que até outubro eu já tenha postado o primeiro capítulo.

Acho que é isso.

Beijos!

Acho que essa foi o melhor fim de fanfic que já li, você me impressiona a casa capítulo, parabéns você tem um grande talento, esperando ansiosamente pela próxima
allof-the-staars

Eu só tenho a agradecer. Do fundo do coração, eu fico extasiada quando eu leio isso. Muito obrigada. E eu espero que você goste da próxima tanto quanto essa.

6 days ago 0 notes Reblog
Já estou morrendo de saudade de perguntar: "Luu quando sai cap novo?". Sempre que estava triste, eu vinha aqui e lia essa web perfeita. Muitoo obrigada Luuu. E já estou esperando a próxima...
♥ Anonymous

E eu já estou morrendo de saudades de receber essas ASKs ç.ç

E eu que tenho que agradecer a todos vocês. Muito obrigada! E espero que vocês gostem dessa nova web tanto quanto a outra.

6 days ago 0 notes Reblog
Que liiiindoooo ! Eu adoreeeei ! Choreeei mto ! Isso é lindo ! Ethan é lindo ! Eu gostava do Toni mais agr gosto do Ethan ! Ele é mto mto fooooofoooo ! Que liiiindo ! :')
geisyanematos

Hahaha… Muito obrigada, linda!! Isso significa muito pra mim.

6 days ago 0 notes Reblog
acompanhei a web toda, mas eu odiei o final, me desculpa, eu realmente esperava mais.
♥ Anonymous

Sinto muito que você não tenha gostado :(

6 days ago 0 notes Reblog
Muito lindo o final ❤️
h-the-reason

Annw :’)

Muito obrigada!! De verdade, fico muito feliz em saber que você gostou.

6 days ago 0 notes Reblog
Lulubs. Eu fiquei sem net e perdi o concurso. Mas nesse momento, estou em lagrimas. Choro como uma criança que ganhou algo que esperava muito. E também como se perdesse. Esses capítulos são realmente incríveis. Perfeitos. Emocionantes. Eu sempre fui apaixonada por essa historia. E vai me fazer muita falta! Choro tbm pq acabou.Vou sentir falta de vim aqui p ler Emi e Ethan. Vc é ótima escritora. Espero ansiosamente a nossa. Bj e se cuida minha escritora. <3
carta-4you

 E qual seria o valor de um sorriso, se não soubéssemos o quanto dói uma lágrima?

Meu Deus!! Muito obrigada, Alice!!

Nossa, vocês não imaginam minha felicidade quando eu leio uma coisa dessas. 

Estou tão feliz que voce tenha gostado do final. ♥

6 days ago 0 notes Reblog
Mdddddds eu amei esses capitulos mas quero chora pq é o final :( e a lana e o adam n vão voltar ?
♥ Anonymous

Oii, infelizmente não. :(

E nossa! Que bom que você gostou! Isso é muito gratificante para mim.

6 days ago 0 notes Reblog
AAAAAI MEU DEUS Q PERFEITOOOOOO GNT SOCORRO TO APX
lowlsly

HIhihi..

Muito obrigada!! Fico muito feliz que você tenha gostado ♥♥

6 days ago 0 notes Reblog

Cap. 41 parte 2

Os meninos acenam para ela enquanto nós nos afastávamos. Quando os meninos vão lá para a casa, o clima de lá da uma reviravolta. Até a personalidade do Ethan muda, ele fica muito mais divertido com elas por perto. Quando chego em casa ele está preparando o almoço.

-Ei, crianças! –Ele levanta a Lily com um braço e com o outro abraça o Ben. –Como vocês cresceram.

-A tia Emi disse a mesma coisa. –Disse o Ben.

-A tia Emi está certa. –O Ethan coloca a Lily no chão e me ajuda com as bolsas. –Você foi ver a sua mãe? –Ele pergunta.

-Fui sim. –Coloco uma bolsa em cima do sofá e olho para ele. –Ela te mandou um beijo. –Ele sorriu. –Você pode olhar eles um minuto pra mim? Eu preciso fazer uma coisa.

-Claro. –Ele volta para a cozinha. –Quem quer me ajudar a arrumar a mesa?

Corro até o quarto e tiro o álbum de fotos da bolsa. O coloco em cima da cama e pego uma caixa de fotos que está no armário, coloco o álbum com o ultrassom e a caixa debaixo da cama, bem no fundo para que ele não perceba. E faço uma anotação mental de que quando ele estiver distraído vou colocar as fotos no álbum.

No final do almoço quando todos estavam quase explodindo de tanta comida, o Ethan recebe uma ligação de seu chefe e ele precisa ir até lá. É o momento perfeito para eu colocar as fotos no álbum. Assim que ele saiu, pergunto aos meninos se eles não querem me ajudar a colocar as fotos, mas peço que eles guardem segredo.

Escolho as fotos que eu mais gosto, como a foto do dia em que nós viajamos para a Jamaica, foi à primeira vez que a minha pele adquiriu um tom bronzeado e não vermelho por causa do sol. Escolho algumas também de quando nós éramos mais jovens, de quando eu abri o restaurante e a formatura do Ethan. E bem no final do álbum eu coloco o ultrassom do bebê e escrevo “Inicio de uma nova vida.” do lado. Embrulho o álbum em um papel presente e o guardo no fundo da bolsa.

No fim da tarde, quando eu e os meninos já estamos de banho tomado e começando a se arrumar para o casamento, o Ethan chega. Eu olho para ele, informando que ele está demorou muito e ele da um sorriso de desculpas.

-Eu vou tomar banho e em cinco minutos estou pronto.

-A cerimônia é as seis. –Digo, colocando o vestido de daminha na Lily.

-Eu sei. –Ele sorri para o Ben. –Cinco minutos. –Ele me beija antes de entrar no banheiro.

-Tia, Emi, como eu coloco isso? –Pergunta o Ben, levantando a camisa de botões.

Eu o ajudo a colocar o terno e o sapato e quando o Ethan saiu do banheiro ele o ajuda a arrumar o cabelo enquanto eu e a Lily terminamos de nos arrumar. Eu a faço sentar em uma cadeira alta que fica no ateliê do Ethan e começo a fazer tranças em seu cabelo, enquanto ela me conta como foi a primeira vez que ela fez as unhas no salão.

-Meu pai ficou muito bravo com a mamãe quando ele viu as minhas unhas. –Ela disse observando as unhas da mão.

-Por quê? Elas ficaram tão bonitas. –Olha para ela através do espelho.

-Porque ele disse que não acha certo que uma garota de quatro anos faça as unas no salão. –Ela deu uma risadinha e olhou para mim.

A pequena Lily-Rose, realmente me intrigava. Ela não parecia nem com a Rafa e nem com o Pietro, mas se não fosse pelos olhos acinzentados que com certeza eram iguais aos do pai eu diria que ela, provavelmente, não era filha deles. Seu cabelo era bem escuro, tão escuro quanto o meu, e ele caia em cachos até o meio das costas, suas feições lembravam as de uma boneca de porcelana e sua pele era quase dourada.

-Mas sabe, eu gostei de fazer as unhas em um salão. –Seus olhos brilharam de animação. –E a moça que trabalha lá me ensinou como se escreve o nome dele. Ela tem um nome esquisito.

-Como ela se chama? –Pergunto, rindo da careta que ela fez.

-Tammyra. –Ela balança os ombros. –Acho que é assim que se fala.

Quando termino a última trança, a prendo com um laço dourado, igual cor do vestido que ela usa e depois passo um pouco de brilho em seus lábios.

-Você está linda. –Digo, fazendo carinho em sua bochecha.

-Obrigada. –Ela da um sorriso envergonhado e olha por cima do meu ombro. Sigo seu olhar e encontro Ethan me encarando sem piscar, encostado na lateral da porta de braços cruzados, com um sorriso bobo nos lábios. Eu quase caio no chão quando tento me levantar e ele tampa a boca com as mãos para não rir.

-Quanto tempo você está aí? –Pergunto.

-O suficiente. –Ele balança os ombros. –Lily, o Ben está assistindo desenhos na sala, você não quer ir lá? –Lily faz que sim com a cabeça e desce da cadeira com um pouco de dificuldades por causa do vestido. –Sabia que você se torna uma pessoa completamente diferente quando tem criança por perto?

Olho para a gravata em seu pescoço e vejo que ela está torta e mal feita, meus dedos começam a coçar e vou até ele para arrumá-la. –Acho que sim. –Desfaço o nó da gravata e começo a refazê-lo. –Você precisa aprender a dar nó em suas gravatas.

-Pra quê aprender se eu tenho você? –Ele segura o meu queixo com os dedos e levanta o meu rosto para beijar meus lábios. –Eu tenho uma surpresa para você mais tarde. –Ele sussurra com os nossos lábios ainda colados.

Tento não rir com o que ele disse. –Eu também tenho uma surpresa pra você mais tarde. –Acaricio seus braços.

-Aposto que a minha é mais surpreendente. –Ele me puxa para mais perto.

Afasto-me para poder olhar em seus olhos e levanto uma sobrancelhas. Nem em um milhão de anos o presente dele vai ser melhor do que meu.

-E eu aposto que você vai perder. –Ele levanta uma sobrancelha, como quem diz “desafio aceito”. Balanço a cabeça e me afasto. –Você está pronto?

-Há muito tempo. –Ele entrelaça nossas mãos e nós andamos até a sala.

Quando chegamos à igreja está naquele momento do dia em que o sol está quase se pondo e a lua já está aparecendo. O casamento começa as seis e fico surpresa por nós não estarmos atrasados. Assim que a organizadora nos vê ela pega os meninos e os guia até o começo de uma pequena fila e diz para eles que eles irão entrar com a Laura. Eu me afasto do Ethan e ando entre as pessoas que enchem a igreja, procuro um lugar onde eu possa colocar a bolsa com o álbum sem que o Ethan possa vê-lo.

-Emi. –Alguém toca o meu ombro e eu me viro.

-Valentina, oi. –Juro, tento ao máximo esconder uma careta assim que a vejo.

Valentina trabalha com o Ethan no comitê de campanha Trump. Não é que eu não goste dela, quer dizer, sejamos sinceros, certo? Eu não a suporto. Ela tem uma voz extremamente irritante e sempre arranja uma oportunidade “acidental” de esfregar o corpo, principalmente os seios siliconados, no Ethan, mas como sempre, ele não percebe. Mas eu sim. E ainda por cima ela adora fazer isso na minha frente.

Ela é como um cachorrinho, talvez como aquele maltês fofinho, sabe? Mas que de fofinho não tem nada. Ela é como uma cadela que necessita de atenção. Jogue a bola de tênis para ela uma vez e ela não estará satisfeita, ela vai querer que você jogue a bola mais uma vez, mas ainda assim ela não estará recebendo atenção suficiente. Então ela começa a se esfregar na sua perna até ter certeza que você nunca mais irá tirar os olhos dela. Valentina é assim, uma cadela insaciável.

Mas ela é amiga do Toni e o Ethan apenas a suporta, então eu vou ter que aguentá-la.

-Que bom que eu te encontrei. –Ela está usando um vestido azul escuro com um decote inapropriado para uma igreja.

-Você estava me procurando? –Estou me esforçando para não fazer uma careta.

-Na verdade eu estava procurando o Ethan. –Não bata nela, não bata nela, fico repetindo para mim mesma. –Se eu te encontrasse eu o encontraria. –Ela me bate no meu ombro de leve e eu cerro os pulsos para não ter que limpar o lugar onde ela me tocou.

-Desculpe decepcioná-la. –Dou um sorriso falso.

-Tudo bem, eu vou continuar procurando. –Ela se vira e sai rebolando.

-Vadia. –Murmuro.

Entro em uma sala no final do corredor da igreja e encontro o Toni. É a primeira vez que o vejo em um mês, ele e eu andamos muito ocupados. Ele agora trabalha em alguma coisa relacionada à publicidade, não sei muito bem. E eu tenho tantas coisas para cuidar e organizar no restaurante que não sobra muito tempo para nós nos encontrarmos.

Ele está andando de um lado para o outro, sem saber o que fazer. Seu terno está desarrumado e um pouco amassado, sua testa está pingando de puro suor e seu cabelo está é o única coisa que está intocável. Ele não percebe quando entro e fecho a porta.

-Oi. –Toco o seu ombro e é a primeira vez que ele percebe a minha presença.

-Oi. –Ele sussurra.

-O que você está fazendo aqui sozinho? –Coloco a minha bolsa em cima de um sofá.

-Eu não sei. –Ele diz confuso. –Eu deveria estar lá fora, não é? –Ele passa à mão na testa encharcada de suor e depois limpa a mão na calça.

-Sim. –Balanço a cabeça. –Você entra daqui a pouco.

-Acho que sim. –Ele cruza os braços.

Ele esta claramente perdido. Vejo o tremor em suas mãos e seus olhos não param quietos.

-Ei – toco seu braço –, você está bem?

-Como você conseguiu fazer isso? –Ele pergunta, estreitando os olhos. –Como você conseguiu se casar sem ter um infarto, quero dizer.

-Bem – sorrio –, em primeiro lugar, eu não me casei na igreja. –Passo as mão pelo seus ombros, arrumando o terno e depois abotôo um botão de sua manga. –Isso facilita as coisas. E em segundo lugar, quando eu estava assinando os papeis do casamento eu me lembrei que passaria o resto da vida com o homem que eu amo. –Ele olha para mim. –Você só está nervoso, mas quando a ver tudo no mundo vai se apagar e só haverá ela e você naquele altar. –Arrumo sua gravata também e depois olho em seus olhos. –E acredite em mim, você não vai querer estar em outro lugar.

-Você a viu? –Ele engole em seco. Suas mãos já pararam de tremer.

-Não. –Balanço a cabeça. –Mas eu tenho certeza que ela está incrível.

Ele sorri de satisfação e balança a cabeça, mas antes de sairmos ele me abraça. E nós ficamos abraçados por tanto tempo que eu perco a noção do tempo. Mas não serei eu a primeira a se afastar.

-Eu amo você. –Sussurro e não sei muito bem porque disse isso. –Eu amo você e tenho certeza que você e a Laura serão muito, muito felizes.

-Eu também amo você. –Ele se afasta. Eu cruzo os braços e levanto uma sobrancelha, esperando que ele diga mais alguma coisa. –O quê? –Ele cruza os baços e levanta uma sobrancelha, imitando a minha posição.

-Vai, diz… –Cutuco seu peito.

-Dizer o quê?

-Eu sei que você gosta do Ethan. E quer que eu e ele sejamos muito felizes. –Dou um sorriso malicioso.

-Quem disse isso?

-Se você não gostasse dele não teria o chamado para ser seu padrinho. –Não consigo parar de sorrir.

-Eu fiz isso por educação. –Ele deu de ombros e andou até a porta. –Agora se você puder se mexer, eu tenho um casamento para ir.

-Toni… –Balanço o corpo de um lado para o outro.

-Tá legal… –Ele revira os olhos e solta um suspiro. –Ele até que é legal. –Ele faz sinal para o lado de fora. –Agora vamos. É a noiva que se atrasa e não o noivo.

Nós somos os próximos. Seguro firme os braços do Ethan e ele aperta a minha mão. Ele olha para mim e sorri. A organizadora do casamento acena para gente e diz que já está na hora de entrarmos. Até agora não consegui ver a Laura, mas a Lana disse que ela está de tirar o fôlego e eu sei que é verdade.

Nós entramos na igreja e vejo o Toni cerrando os pulsos e mordendo a boca. Ele olha para mim e sorri, mas é um sorriso nervoso. Olho para as suas mãos e depois volto a encará-lo. Tento dizer que é para ele relaxar porque ele parece muito nervoso. Então ele solta um suspiro e relaxa um pouco.

-Refresque a minha memória – sussurrou o Ethan –, por que nós não nos casamos na igreja mesmo? –Eu abri a boca para responder, mas ele foi mais rápido. –Ah é. Lembrei. –Ele olhou para mim e sorriu. –A culpa é sua. Você fez minha cabeça.

-Você é tradicional de mais. –Balanço os ombros.

-Gosto de ser tradicional.

-Daqui a pouco você vai querer comprar uma casa. –Sorrio.

-Qual o problema com casas? –Ele pergunta, sem nenhum humor na voz.

-Gosto de apartamentos. –Olho para ele, mas ele desvia os olhos.

-E eu de casas.

-Tradicional de mais. –Cutuco seu quadril.

Depois que todos os padrinhos entram a musica começa a tocar novamente. As portas da igreja se abrem e o Peter, irmão do Toni, entra; atrás dele está a Lily e o Ben. Assim que a Laura entra acompanhada do pai, acontece um suspiro coletivo ao mesmo tempo. Ela está tão incrivelmente linda. Ao meu lado os olhos da Livi já estão cheios de lágrimas. Seguro seu ombro e ela olha para mim sorrindo.

Olho para o Toni e ele parece tão hipnotizado que nem pisca ou respira. Assim que ela segura a mão dele parece que ele desperta de um sonho e finalmente sorri, acho que é a primeira vez que o vejo com lágrimas nos olhos. O padre ele começa a falar e todos se sentam.

~

Assim que o padre pede que eles se beijem, meus olhos já estão inchados. O Ethan toca uma bochecha minha e beija a minha testa. Aos poucos as pessoas vão saindo para cumprimentar os noivos e eu digo ao Ethan que eu preciso buscar a minha bolsa. Leva um tempo até que eu consiga achar a sala onde eu a deixei e finalmente quando eu a encontro ela está trancada.

Ouço um barulho vindo do lado de dentro e bato na porta mais uma vez. Há um resmungo de duas pessoas e depois escuto um barulho. A Lana aparece na porta e atrás dela está o Adam. Meus olhos passam de um para o outro. E eu mordo a boca para não sorri.

-Não é nada disso que você está pensando. –Diz a Lana, passando as mãos pelo cabelo e depois arrumando o vestido torto.

-Ah, quê isso?! –Olho para o Adam e ele desvia os olhos. –Nunca passaria pela minha cabeça que vocês estavam transando em um quartinho na igreja. Vocês querem me explicar o que está acontecendo ou querem que eu faça uma suposição?

-Bem… –O Adam engole em seco. –A gente estava transando sim…

-Mas não é nada sério. –A Lana levanta as mãos em defesa.

-Não é? –O Adam olha para ela, confuso.

-Não complica as coisas, tá legal?! –A Lana olha para ele. –É mais complicado do que parece. –Ela diz mais para ele do que para mim.

-Sexo é sempre complicado. –Digo.

-Eu acho que eu vou lá para fora. –O Adam passa por ela. –Eu preciso de ar.

-Adam… –A Lana o chama.

-Não é nada sério, Lana. –Ele passa uma mão pelo pescoço, parecendo estar tonto. –Eu entendi.

Ele se vira e em pouco tempo ele desaparece pelo corredor.

-Ele parece magoado. –Digo, entrando na sala.

-Eu me sinto um lixo. –Ela se senta no sofá.

-Quanto tempo vocês estão…? –Olho para ela. –Você sabe…

-Essa é a terceira vez. –Ela olha para mim, mas logo desvia. –Nessa semana. –Ela sussurra.

-Nossa. –Me sento ao seu lado e toco sua mão. –E você quer voltar pra ele?

-Talvez? –Ela olha para mim, talvez procurando alguma resposta.

-Já faz oito anos. –Mordo a boca. –Ele não é mais um garoto.

-É… –Ela fecha os olhos. –Você contou para o Ethan. –Ela muda de assunto.

-Hoje à noite. –Eu sorri. –Vou contar hoje à noite.

-Você tem tanta sorte. –Ele murmuro. –Você e o Ethan têm muita sorte de ter uma relação estável.

-Você também vai encontrar alguém, Lana. Alias, o amor da sua vida pode estar mais perto do que você pensa.

-Se você estiver falando do Adam, nosso relacionamento é mais difícil do que se imagina. –Ela suspira. –E mesmo que em um futuro nós estejamos juntos, é muito pouco provável que a gente construa uma família como você e o Ethan ou a Laura e o Toni. –Ele passa a mão no rosto.

-Eu acho que se depender do Adam isso não deve demorar muito e nem deve ser impossível. Ele ainda gosta de você.

-Eu também gosto dele.

-Então, talvez você deva ir lá e pedir desculpas para ele e com certeza ela vai te desculpar e talvez vocês tenham mais uma chance juntos.

-Eu vou ter que engolir o meu orgulho. –Ela sorri e depois se levanta. –Mas isso é o certo a se fazer.

Faço que sim com a cabeça e a sigo até o lado de fora. Nesses últimos anos eu vi meus amigos passarem por tantas coisas; o Pedro viajando para seguir seus sonhos depois que a gente se formou na escola, o Iago e a Livi se casando, ah sim, houve muitos casamentos nesses anos. A Ana finalmente encontrando o cara certo para ela, a Rafa finalmente feliz por ver a família dela crescer. E tem o Eron, que não o vejo há algum tempo porque ele se mudou para o interior para ficar perto da nova namorada, mas eu sei que ele está muito feliz por lá. Eles realizaram sonhos e conquistaram coisas incríveis e eu fico tão feliz por eles.

 A festa do casamento será em um hotel e eu amo festas em hotéis. Estou começando a ficar nervosa sobre contar para o Ethan sobre a gravidez, eu não sei exatamente como ele vai reagir e isso me deixa ainda mais ansiosa.

Eu estava dançando com o Iago e ele me fazia o grande favor de me girar e girar até meu estômago começar a embrulhar.

-Você é um idiota. –Digo rindo.

-Um idiota legal, por favor. –Ele coloca uma mão na minha cintura e eu coloco uma em seu ombro enquanto nós entrelaçamos as mãos livres. –Alguém já te disse o quanto está bonita, senhorita Diehl? –Ele da um sorriso malicioso.

-O senhor está flertando comigo, senhor Castro? –Levanto uma sobrancelha. –Saiba que eu sou uma mulher casada.

-Oh. –Ele finge surpresa. –Temos algo em comum, porque eu também sou um homem casado. –Fico surpresa em não pisar em seu pé nenhuma vez enquanto nós dançamos. –Você parece preocupada. O que aconteceu?

-Posso te contar uma coisa? –Sussurro. Ele faz que sim com a cabeça e fita meus olhos. –Eu e o Ethan vamos ter um bebê.

-Santo Deus! –Ele arregala os olhos. –Isso é incrível! –Nós paramos de dançar e ele me abraça. –Parabéns, anão de jardim!

-Obrigada, senhor gigante. –Começo a rir. –Mas olha – me afasto alguns centímetros dele e olho em seus olhos –, ele ainda não sabe, então isso é um segredo.

-Tudo bem, não contarei a ninguém. –Ele estreitou os olhos. –Nem para a Livi?

-Eu gostaria de contar para ela.

-Ok, entendi. –Ele volta a segurar minha cintura e nós voltamos a dançar. –Posso contar uma coisa também? –Faço que sim com a cabeça. –Eu e a Olivia também estamos tentando. –Seus olhos ficam brilhantes.

-Sério? –Agora é minha vez de parar de dançar. –Eu fico tão feliz por vocês.

-Obrigado. –Ele diz orgulhoso. –Já imaginou um pequeno Iago andando por aí?

-Não dê o nome do seu filho de Iago. –Digo brincando. –É sacanagem de mais com uma criança.

-Você é engraçadinha, em?! –Ele revira os olhos.

-Com licença? –Diz o Ethan, aparecendo atrás do Iago. –Será que eu posso dançar com essa bela moça?

-Claro. –Diz o Iago, fingindo uma cara de decepção. –Ela já partiu meu coração em um milhão de pedaços ao não aceitar meus elogios, ela diz que o coração dela pertence a outro. –Ele se vira de uma forma teatral e depois vai até a mesa onde a Livi está. Ele a beija e depois a tira para dançar.

O Ethan sorri e se vira para mim, colocando os dois braços ao redor da minha cintura. Assim que ele me puxou para mais perto percebi, não pela primeira vez, como eu cabia perfeitamente em seus braços, como se eu tivesse sido feita por encomenda. Ethan me segurou bem firme e eu soltei um gemido de puro prazer em estar tão perto dele.

-Eu queria dizer que eu não me canso de olhar para você. –Ele sussurrou bem pero do meu ouvido.

-Eu também não me canso de olhar para você. –Acaricio seu pescoço.

Nós não nos falamos durante um bom tempo. O que falar? Eu esperava que a música não parasse nunca. Quando parou, nós dois permanecemos no mesmo lugar, de mãos dadas, olhando fixamente um para o outro.

Ele soltou um suspiro e sorri. –Acho que quero te entregar o seu presente agora.

Meu coração estava tão acelerado que eu achei que não iria aguentar mais uma noite. Minhas mãos começaram a tremer e eu me afastei alguns centímetros para que ele não percebesse meu nervosismo.

-Eu também quero te dar seu presente agora. –Mordo a boca e peço para ele me encontrar no jardim do hotel enquanto eu vou pegar o álbum.

Quando chego ao jardim, não tem muitas pessoas por lá só algumas que estão conversando, mas estão longe de onde o Ethan está sentado. Sento-me de frente para ele e ele sorri.

-Você primeiro. –Digo.

-Ok. –Ele morde a boca. –Antes de qualquer coisa, eu não quero que você fique brava comigo. –Ele sorri e desvia os olhos.

Reviro os olhos e suspiro. Sempre que ele diz isso pode ter certeza que eu vou ficar brava com ele.

-O que você fez dessa vez? –Cruzo os braços.

-Me escuta antes de falar qualquer coisa, certo? –Faço que sim com a cabeça e ele sorri. –Lembra quando a gente tava caminhando e passamos perto daquele condomínio que você gosta?

-Lembro.

-E você viu a casa com o jardim? –Ele pisca algumas vezes e eu sorrio.

-Como eu poderia esquecer? A casa era perfeita. E o jardim… –Suspiro. –Ele era lindo.

A casa era de tirar o fôlego. Ela tinha dois andares e uma decoração incrível. E o jardim era simplesmente perfeito, parecia um jardim inglês, tinha até um pequeno lago.

-Ela estava venda, mas quando a gente foi olhar o dono disse que tinha esquecido de tirar a placa e que ele já havia vendido.

-Foi uma grande tristeza.

-Entao… – ele sorri. – Você sabe que eu posso ser muito persuasivo quando eu quero, não sabe?

-Ethan, vai direto ao ponto.

Ele olha para baixo e coloca uma mão dentro do terno e tira uma caixinha preta. Eu olho para ele, mas ele não está olhando para mim e sim para a caixinha. –Abre. –Ele finalmente olha pra mim e eu não consigo decifrar a sua expressão.

Eu pego a caixinha, sem tirar os olhos dele e depois a abro. No começo eu não consigo entender muito bem o que é aquilo, mas depois eu consigo ver que é uma chave.

-Você não fez isso. –Sussurro enquanto toco na chave.

Meu coração está batendo tão rápido que eu tenho certeza que ele pode ouvir.

-Fiz. –Ele ri. –Feliz aniversário de casamento.

-Co-como? –Gaguejo. –Quero dizer, como você conseguiu?

-Eu fiz uma contra proposta para o dono da casa e ele aceitou. –Vou até ele e o abraço o mais forte possível. –O jardim é seu. –Ele sussurra bem perto do meu ouvido e depois beija minha bochecha.

-O jardim é nosso. Muito, muito obrigada. Eu amei. Como eu poderia ficar brava com você?  –Olho para ele, acaricio seu rosto e beijo seus lábios. Quando ele abre os olhos, ele não parece está tão feliz quanto eu. –Por que você está assim?

-Você está certa. –Essas simples palavras me fazem deixar de prestar atenção em qualquer ao meu redor e eu somente tenho olhos para ele.

-O que você disse? –Ainda não recuperei a minha voz.

-Que você está certa em relação a não ter um filho agora. –Click. –Talvez a gente devesse esperar um pouco. –Outro Click e uma bomba é jogada sobre mim.

-Por que você acha isso?  –Me afasto dele e envolvo a minha cintura com os braços, me protegendo do frio.

-Ontem, quando eu estava indo para a reunião, eu percebi que eu teria que fazer isso até o final do ano e eu ainda tenho a pós… –Ele passa as mãos atrás do pescoço e fecha os olhos. –E você tem tantas coisas para no restaurante… A gente não tem tempo, Emi!

-Ethan… –Tento falar, mas ele me interrompe.

-Era isso que você queria, não é? –Ele abre os olhos e olha para mim. Ele parece perturbado e muito, muito triste e isso acaba comigo. Não era assim que eu imaginava nosso aniversário. –Talvez a gente devesse esperar um pouco.

Eu me levanto e sento-me na cadeira a sua frente. Pego o embrulho onde está o álbum e suspiro. –Abre seu presente. –É a única coisa que digo.

Ele olha para mim com seus olhos triste e depois para o embrulho, ele o rasga e depois sorri.

-Eu queria ter te dado no seu aniversário, mas não deu muito certo. –Sorrio.

Ele abre o álbum lentamente e vai passando as fotos.

-Não me entenda mal, mas o seu presente só perde para o meu por algumas portas e janelas. –Ele brinca.

-Você não foi até o final.

Pego a chave e a aperto com as duas mãos contra o peito. Olho para o Ethan e sorrio. Posso imaginar o nosso futuro agora, com a nossa casa e o nosso filho, é claro, se ele não tiver um ataque quando souber. Talvez ele tenha dito aquilo tudo porque ele achava que eu não queria um…

-Você lembra dessa? –Ele aponta uma foto onde nós estávamos no aeroporto e eu estou fazendo uma careta e meus olhos estão apertados. –Você tinha comprado uma cartela de comprimidos pra dormir e eu achei que você ia ter uma overdose.

-Bem, nós íamos fazer uma viagem longa dentro de uma coisa que poderia despencar do céu a qualquer momento.

-Você é sempre exagerada, não é mesmo?  –Ele cerra os olhos para mim e sorri.

Ele está chegando perto da foto do ultrassom e meu estômago começa a revirar. Ele para na pagina onde está à foto e eu não tiro os olhos dele. Ele passa a mão onde eu escrevi “Inicio de uma nova vida” e aperta os olhos para conseguir ler.

-Sabe… Eu estou sem óculos. –Ele olha para mim.

-Talvez você não precise ler agora. –Seguro sua mão. –Você sabe o que é isso? –Aponto para o ultrassom.

Ele sorriu e apertou os olhos. Sua expressão desapareceu, assim como seu olhar. Ele deixou os meus olhos e percorreu um caminho até a minha barriga.

Ele olhou mais e mais, e eu o esperava sorrir ou rir ou saltar para cima e para baixo ou faze qualquer coisa. Mas ele ficou lá, congelado até o ponto que começou a me assustar.

-Ethan? –Toco seu rosto. –Ethan? –Chamo mais uma vez, mas ele parece perdido.

Seguro seu rosto com as duas mãos e ele encontra meus olhos, mas ainda sim, parece estar tão distante. Seus olhos estão cheios de lágrimas e eu mal posso conter as minhas. –Por favor, esqueça tudo o que eu disse há alguns minutos. –Ele funga.

-Escute, eu quero te falar uma coisa. –Enxugo uma lágrima que escorre pela sua bochecha. –A gente sabe que isso não foi planejado, e a verdade é que eu nem sonhava em ter um filho. Mas quando eu soube, Ethan, eu fiquei tão feliz. –Sorrio e eu não posso mais evitar as lágrimas. –Eu quero isso, eu quero ter uma casa com um jardim com você, eu quero ter um filho com você, Ethan, eu quero ter tudo com você.

Ele encosta nossas testas e sorri. –Você levou dois anos pra saber disso?

-Na verdade eu sabia disso desde o dia que eu disse sim a você, mas agora eu tenho ainda mais certeza. –Sorrio.

-Nós vamos ter um bebê? –Ele acaricia meu rosto.

-Vamos. –O abraço ainda mais forte.

Ele estica os braços acima da cabeça e grita:

-Nós vamos ter um bebê! –Ele segura a minha cintura e me rodopia no ar.

-Eu ouvi direito? –Pergunta o Adam, aparecendo atrás do Ethan com a Lana.

-Ouviu sim. –Envolvo o quadril do Ethan, com o braço e sorriu.

O Adam altera o olhar entre o Ethan e eu e depois abre um sorriso.

-Ai, caramba! –Ele abraça o Ethan. –Eu vou ser tio mesmo? –Ele coloca as mãos nos meus ombros e fita meu rosto.

-Vai. –Faço que sim com a cabeça e o abraço.

-Isso é incrível! Parabéns! –Ele segura a minha mão e a do Ethan e nos puxa até o salão. –Nós temos que espalhar a notícia.

A Ana segura minha outra mão e nos seguiu. Eu olho para o Ethan por cima do ombro do Adam e ele sussurra um eu te amo e eu sei que a partir de agora ficará tudo bem.

***

(oito meses depois…)

Eu senti uma dor lancinante me apertando. Era incrivelmente forte, eu sentia como se eu estivesse quebrando ao meio. Alguém tocou a minha testa e eu olhei para cima.

-Mãe…? –Ela fez que não com a cabeça.

-Ele ainda não chegou, querida. –Ela tirou alguns fios molhados de suor da minha testa.

-Eu não vou fazer isso sem ele. –Outra pontada e dessa vez eu não pude conter o grito.

-Emi – a Lena toca o meu braço e eu olho para ela. – O Adam está ligando para ele, mas eu acredito que eles ainda estão longe daqui.

-Eu espero… –Eu seguro forte o lençol da cama e solto outro grito. –Como você conseguiu fazer isso? –Pergunto para a Lena.

-A minha foi cesariana. –Ela me ajuda a sentar e a Paula me entrega um copo com água. –De quem foi a ideia de você ter gêmeos de parto normal.

-Minha. –Limpo a boca com as costas das mãos. –Eu não queria que os meus filhos já nascessem drogados.

-Isso é só mito, filha. –A Paula limpa a minha testa com um pano úmido e ela faz uma careta quando eu solto outro grito.

Quem disse que dar a luz é fácil? Estou deitada nessa cama de hospital há quase um mês sentido algumas dores, porque eu tive anemia durante a gravidez e os médicos acharam melhor me internarem para que não houvesse complicações.

Quando eu descobri que estava grávida de gêmeos foi um choque, mas depois de algumas minutos eu me senti a mulher mais feliz do mundo. O Ethan parecia uma criança que tinha acabado de ganhar um brinquedo novo de tanta felicidade. Mas o médico nos avisou que minha gravidez era, provavelmente, de risco, então eu teria que tomar o dobro de cuidado.

Durante oito meses o Ethan não tirou os olhos de mim, quase não me deixava ir trabalhar. Ele parecia cansado, mas mesmo assim estava feliz, ainda mais com a mudança para a casa nova. Quando nos mudamos, não tinha muitas reformas para fazer na casa, apenas arrumar o quarto das crianças. E eu passei metade da minha gravidez engordando e sentada em um banco do jardim.

E finalmente quando essas crianças decidem vir ao mundo, o Ethan teve um compromisso com o pai e teve que viajar. Agora, nesse exato momento, eu não tenho ideia de onde eles estão.

-Eu liguei pra ele. –Disse o Adam, entrando no quarto. –Ele está a caminho, Emi. Logo, logo ele está aí.

-Logo, logo ela vai ter essas crianças. Aliais, por que ele teve que fazer essa viajem agora? –Pergunta a Paula, cruzando os braços, ela estava liberando aflição e isso me deixava ainda mais exausta.

-Que tal a gente tomar um café? –Pergunta a Lena, segurando o braço dela. E eu a agradeci mentalmente por estar tirando a Paula daqui.  A Paula olha para mim e eu tento sorrir.

-Pode ir, mãe. O Adam fica comigo. –Ela hesita um pouco, mas depois sai.

O Adam senta na cadeira ao meu lado e eu tento me virar para olhar em seus olhos, mas a barriga me impede. As contrações deram uma pausa, mas eu sei que daqui a pouco elas voltam.

-Tá todo mundo lá fora. –Ele diz segurando a minha mão. –A Rafa, o Toni com a Laura, o Iago com a Livi…

Saber que os meus amigos estão lá fora me deixa mais tranqüila.

-Eles não podem entrar? –Pergunto.

-Só a família. –Ele aperta os lábios. –Olha, já imaginou que daqui a pouco você vai ter eles nos braços?

-Ou elas. –Acaricio a minha barriga. Eu e o Ethan optamos por não saber o sexo dos bebês, porque isso deixa muito mais excitante.

-Vocês já escolheram os nomes? –Ele também coloca a mão na minha barriga e sorri.

-Eu tenho algumas ideia e ele tem outras, mas nada definitivo. Os nomes são o que a gente da de mais importante, então tem que escolher com calma. –Balanço a cabeça.

Inclino-me para frente quando sinto outra contração e essa foi forte.

-Que horas a sua bolsa estouro? –Ele se levanta e passa a mão nas minhas costas.

-Há uma hora. –Digo estridente.

-Por que você não aceita a peridural?

-Porque é uma agulha enorme e eu não gosto de agulhas. –Aperto os olhos. –Vamos conversar, isso acalma eles. –Volto a deitar na cama.

-Tudo bem. –Ele diz com os olhos arregalados. –Você tem notícias da Lana?

-Ele foi pra São Paulo. –Outra contração e mais um gemido. –Vocês não se falam muito?

-Não. –Ele balança a cabeça.

-Eu sinto muito.

-Tá tudo bem, Emi. A Lana e eu somos melhores sendo amigos do que um casal.

A uma batida na porta e o doutor Rogério entra. –Então o grande momento está próximo. –Ele sorri para mim, acho que estou começando a ter raiva dessas pessoas que vivem sorrindo, enquanto eu sinto dor. Tento sorrir, mas só consigo fazer uma careta.

-O Ethan não chegou ainda. –Sussurro.

-Bem – ele se senta no banquinho a minha frente –, temo que você já esperou de mais, Emi. Você já está com quase dez centímetros de dilatação e esses bebezinhos não querem espera mais.

-Eu não posso fazer isso sem ele. –Começo a chorar. O Adam e o Doutor trocam olhares.

-Que tal a gente fazer assim, eu entro com você e gravo tudo e ele pode ver depois. –Diz o Adam, segurando a minha mão.

Acho isso uma péssima ideia, penso.

-Mas eu quero o Ethan. –Soluço.

-Se esperarmos mais, isso pode se tornar mais complicado, Emi. –Diz o Rogério.

Respiro fundo e passo as mãos pelo rosto. Eu preciso fazer isso, digo a mim mesma, pelas crianças. Eu sabia que esse momento seria assustador, mas o meu plano era passar isso com o Ethan.

-Tudo bem. –Balanço a cabeça. –Vamos fazer isso.

Antes de sair para se trocar, o Adam aperta o meu ombro e diz que vai ficar tudo bem. Mas assim que ele saí eu começo a sentir muita dor e não sei se ficará tudo bem mesmo. Alguns minutos depois eles voltam e atrás deles estão mais três enfermeiras e duas delas estão trazendo duas incubadoras e a imagem das incubadoras faz meu coração bater ainda mais rápido.

O Rogério pede que eu dobre os joelhos e é isso que faço. Quando o Adam segura a minha mão eu olho para ele e encontro um par de olhos azuis que me tiram o fôlego e eles estão atrás de um óculos.

-Ethan? –Acho que perdi completamente o ar dos meus pulmões.

-Você achou que eu ia perder isso? –Ele acaricia a minha testa.

Eu ia responder, mas não consegui por causa de uma contração horrível.

-Ok, Emi – diz o Rogério –, eu preciso que você faça força. –O Ethan segura a minha mão e eu faço tanta força que fico sem ar. –Você está indo bem, Emi. Já estou vendo a cabeça, mais um pouco. –Conto até três e empurro mais uma vez.

Não sei quantos minutos se passaram ou talvez sejam horas? Eu não sei. Só sei que estou fazendo força até as minhas pernas e meus braços ficarem bambos. O Ethan me da um beijo na testa e sussurra que u empurre mais um pouco. Sinto o suor escorrer na minha testa, no meu pescoço e eu empurro mais um pouco.

No começo não ouço nada, mas depois escuto um choro bem baixinho. Meus olhos se abrem e eu olho para o Ethan, mas ele não está olhando para mim e sim para o que o medico está segurando, eu sigo seu olhar e vejo e minhas mãos começam a tremer. Rogério pega uma toalha e limpa o rosto do bebê.

-Parabéns, é uma menina. –A bebê não para de chorar no colo da enfermeira.

-Uma menina? –O Ethan pergunta com um sorriso enorme nos lábios.

Uma enfermeira trás o pequeno pacotinho até mim e a coloca nos meus braços, assim que a seguro ela para de chorar. Ela é simplesmente a coisa mais linda que eu já vi na minha vida.

-Ela é minha? –Pergunto para a enfermeira, ela sorri e faz que sim com a cabeça. Olho para o Ethan e ele sorri e a pega do meu colo. É tão difícil de acreditar que aquele pacotinho é meu.

-Ela é perfeita. –Ele acaricia o rosto da bebê.

-É sim…

Sinto outra contração e dessa vez parece pior. Estou tão exausta que não sei se conseguiria fazer mais força. Ethan entrega a nossa filha para a enfermeira e ela a leva para pesar. Rogério pede que eu faça mais um pouco de força e eu tento, mas não sei se é o suficiente. Quando sinto que não posso fazer mais nada, ouço o Ethan suspirar e ele aperta o meu ombro. Ouço mais uma vez um choro parecido com o primeiro e sorrio.

-E é outra menina.

-Duas? –O Ethan pergunta meio tonto.

A outra enfermeira a limpa com uma toalha e a coloca no meu braço. Ela é tão pequeninha que eu tenho medo de apertar de mais. Eu acaricio o seu rosto e não consigo parar de sorrir, por mais que eu esteja lutando contra o cansaço eu consigo manter os olhos abertos para olhar cada pedacinho dela, mas não dura muito tempo, porque assim que o Ethan a pega dos meus braços eu apago.

~

Acordo com uma conversa vinda do canto do quarto. Tento forçar meus olhos a procurarem a conversa, mas é até difícil virar o pescoço.

-… e a gente esperou muito vocês… –Ouço alguém dizer. –Eu e a mamãe esperamos tanto para ver o rostinho de vocês. –Eu conheço a voz, mas minha mente está coberta de neblina e não consigo identificar. –Vocês vão adorar conhecê-la. –Consigo virar o pescoço e vejo o Ethan com os dois braços ocupados, segurando as nossas filhas. –Olha quem acordou. –Ele sorri.

-Oi. –Tento sorri. –Quanto tempo eu dormir?

-Doze horas. –Ele se aproxima de mim. –Você desmaiou na sala de parto, mas está tudo bem agora. Os médicos disseram que está tudo bem com você e as meninas. –Ele se senta ao meu lado na cama e me oferece uma das bebês. Eu hesito um pouco, porque não sei se estou forte o suficiente para conseguir carregar uma coisa tão pequena. –Você consegue. –Ele beija a minha testa e me entrega a bebê. –Olha, você fez um trabalho incrível.

-Obrigada. –Sussurro. Meus olhos se enchem de lagrimas, simplesmente por eu estar segurando a minha filha.

Agora que elas estão mais limpinhas consigo as ver melhor. Elas têm muito cabelo para um bebê, a que eu seguro tem cabelos claros iguais aos do Ethan e uma pele dourada e têm bochechas grandes, ela ainda não parece nem comigo e nem com o Ethan. A que o Ethan segura, ela é tão pequenininha, ela tem cabelos escuros iguais os meus e uma pele mais pálida e suas bochechas também são grandes. Os médicos disseram que elas eram gêmeas bivitelinas, mas para falar a verdade, se não fosse pela cor dos cabelos eu não saberia dizer quem é quem. E pensar que aquelas duas bolinhas do ultrassom iriam ser essas duas coisinhas mais lindas da minha vida.

-Você já escolheu os nomes? –Pergunto, limpando uma lagrima que insiste em cair.

-Eu estava esperando você acordar. –Ele acaricia o rostinho da bebê que ele segura. –Por enquanto nós estamos as chamando de Bebê Um e Bebê Dois. –Ele ri.

-Não da pra chamá-las assim para sempre. –Sorrio. –Elas crescem.

 -Claro. –Ele ri. –Eu tenho um nome em mente. –Ele da um meio sorriso e olha para mim.

-Fala. –Mordo a boca.

-Rebeca. –Sua bochecha fica vermelha.

-Eu gosto de Rebeca. –Olho para a que eu seguro e para a que o Ethan segura. –Mas qual tem cara de Rebeca?

-Ela. –Ele aponta para a que eu seguro.

-Verdade, ela tem cara de Rebeca. –Acaricio o rosto de Rebeca e ela solta um som abafado com a boca. –Acho que ela gostou.

-Acho que sim. –Ele coloca os braços ao redor dos meus ombros e me puxa para mais perto. –Sua vez.

Eu olho para a bebê que ele segura. Ela é tão delicada que precisa de um nome muito especial. Um nome vem a minha cabeça junto com um sorriso largo.

-Emma.

-Sério? –Ele estreita os olhos.

-Você não gostou? –Pergunto e mordo a parte de dentro da minha bochecha.

-Eu amei. –Ele acaricia o meu braço. –Sabia que eu sempre quis ter uma filha chamada Emma?

Eu olho para ele, sem acreditar muito, mas seus olhos dizer que é verdade. –Que coincidência. –Sorrio.

Ele se aproxima de mim e me beija. Ele olha para Emma e Rebeca e levanta uma sobrancelha com ar brincalhão.

-Acho que eu tenho tudo o que eu quero. –Ele sussurra para ninguém em especial. –Obrigado.

-Não, nós dois temos que agradecer um ao outro. –Deito a cabeça em seu ombro e fecho os olhos.

-Você está me fazendo o homem mais feliz do mundo, sabia? –Ele me da um beijo mais demorado agora e quando acaba olha mais uma vez para as nossas filhas. –Acho que nós temos que conversar sobre limites, meninas. –Ele diz para elas. –Eu e sua mãe andamos conversando e vocês não podem namorar antes dos 40.

Não posso evitar o riso. –Quarenta anos não é muito tempo?

-Não para as minhas filhas. –Ele fala em um tom sério. –Vocês vão poder sair de casa depois dos trinta e se desobedecerem eu aumento para mais dois anos.

-Escutem ele, ele está falando sério. –Murmuro.

-O que mais…? –Ele bate com um dedo no queixo.

Sinto que estou no paraíso agora, sinto que tenho todas as coisas que eu sempre quis ter na vida e nada e nem ninguém poderá tirar essas coisas de mim. 

Cap. 41 parte 1

-Emi, espera! –Lucca gritou meu nome assim que eu coloquei a mão na maçaneta da porta. –Me da mais uma chance, por favor.

Eu respirei fundo e contei até dez. Fica calma, você não pode se estressar. Eu dei um passo para trás e olhei bem em seus olhos.

-Te dar mais uma chance Lucca? –Apontei um dedo para o seu rosto. –Eu já te dei mil chances, mas você nunca aprendeu com as suas merdas.

Seus olhos estavam cheios de lagrimas e parecia que ele sentia dor, vê-lo daquele jeito fez meu estômago embrulhar.

Senti uma mão toca o meu ombro e me afastar alguns centímetros do Lucca.

-Vai com calma, Emi. –O Iago disse com uma voz calma. –As pessoas podem ouvir vocês do outro lado.

-Eu o quero fora do meu restaurante. –Rosnei. Dei uma última olhada para o Lucca antes de me virar para o Iago. –Ele é seu amigo, se você não resolver isso, eu vou resolver da pior forma possível.

Antes de sair ouvi o Iago soltar um suspiro de cansaço, comecei a me sentir mal por ter falado com ele daquele jeito, mas eu não iria me acalmar até ver aquele projeto de verme longe do meu restaurante. As pessoas me olhavam com curiosidade enquanto eu subia para o escritório, eu queria ter parado por um momento e ter pedido desculpas pelo escândalo na cozinha, mas minha cabeça estava a mil.

Sentei-me no sofá e encostei minha cabeça na parede fria. Eu queria gritar e bater em alguém, na verdade esse alguém era o Lucca, eu queria mesmo enfia uma faca bem na jugular dele. Apertei uma almofada contra o meu rosto e soltei um grito abafado.

A porta se abriu e o Iago colocou a cabeça para o lado de dentro.

-Vai embora Iago. –Eu disse, tacando a almofada nele.

-Nós precisamos conversar. –Ele pegou a almofada no ar e entrou no escritório. –Você não pode mandar o Lucca embora.

-Ahh, não? –Cerrei os olhos na direção dele e cruzei os braços. –Então refresque a minha memória e me diga por que eu não posso mandá-lo embora?

-Porque quando você não está ele é o melhor cozinheiro que nós temos. –Ele levantou um dedo. –Porque ele já conquistou clientes fieis para nós. –Ele levantou outro dedo. –E porque ele é nosso amigo.

-Seu amigo. –O concertei. –Iago você não vê? –Me levantei e passei as mãos pelo cabelo e depois pelo pescoço. –O Lucca é preguiçoso, ele sempre se atrasa, arranja confusão com os outros funcionários e a maioria das vezes que ele vem trabalhar, quando ele vem trabalhar, ele está parcialmente bêbado. Nós podemos achar alguém melhor que ele.

-Não antes do festival de gastronomia. –Ele se sentou no sofá. –Escute, espere o festival passar e eu prometo que vou encontrar outro Chef.

Comecei a andar de um lado para o outro sem parar. O festival era daqui um mês e eu não sei se iria aguentar o Lucca até lá.

-Um mês? –Olhei para o Iago.

-Só mais um mês e eu te prometo que depois disso jogo ele no meio da rua.

-Tudo bem. –Balancei a cabeça. –Eu confio em você Iago.

-Eu sei. –Ele sorriu para mim e balançou a cabeça. –Só um minuto. –Ele colocou a mão no bolso da calça e tirou o celular. –Oi, Livi? –Ele fez uma pausa. –Sim, ela está aqui. Só um minuto. –Ele olhou para mim. –É pra você.

“-Oi? –Eu disse, com a voz bem mais calma.

-Eu não acredito que você ainda não saiu do restaurante. –A Livi disse furiosa.

-Eu tive que resolver uns problemas. Eu já estou indo.

-Emi, se você não chegar aqui em 10 minutos a Laura vai ter uma ataque. –Eu ouvi uma voz ao fundo dizendo que iria me matar. –Ela vai matar você.

-Eu chego aí em 10 minutos, prometo.

-10 minutos, Emi!”–Ela desligou o telefone.

-Eu não queria estar na sua pele. –Ela riu, se espreguiçando no sofá.

-Nem eu. –Disse um pouco enjoada. –Você toma conta daqui?

-Sim. –Ele se levantou e tocou o meu ombro. –Você está bem?

-Acho que esse estresse todo me deixou um pouco enjoada. –Coloquei um braço ao redor da minha barriga e me curvei um pouco para frente.

-Você está bem pra dirigir? –Fiz que sim com a cabeça. –Eu posso chamar um táxi.

-Não precisa. –Fui até a mesa e peguei a minha bolsa e a chave do carro. –Depois da prova de vestido eu vou almoçar com a minha mãe, tudo bem? –Andei até a porta.

-Claro. –Ele acenou para mim, antes de sair.

Andei até o estacionamento e demorei alguns minutos para achar o meu carro, eu nunca me lembrava onde eu o estacionava. Quando eu o encontrei aquela sensação de enjôo não havia me deixado. Encostei a cabeça no volante do carro até me sentir melhor, finalmente aquele enjôo havia passado e eu pude ligar o carro.

Eu odiava quando o transito ficava engarrafado, as pessoas buzinavam e gritavam, mas elas não viam que era quase impossível sair do lugar? Demorei quase meia hora para chegar à loja e mais vinte minutos para encontrar um lugar para estacionar.

Corri até a recepcionista que me olhou de cima a baixo.

-Emili Diehl. –Dei o meu nome. –A Laura já está me esperando.

-Você está atrasada. –Ela disse se levantando da cadeira e dando a volta no balcão. –Por aqui.

Eu a segui até uma sala ampla e cheia de espelhos e janelas. A Ana estava parada bem ao lado de uma porta e quando ela me viu achei que ela poderia me queimar com os olhos.

-Você está muito, muito atrasada. –Ela disse andando até mim.

-Eu sei. –Eu fiz uma careta. –Desculpe, mas eu tive que resolver alguns problemas no restaurante e o transito estava horrível.

-Você sempre tem coisas para resolver no restaurante, Emi. –Ela segurou o meu braço e começou a me puxar. –A Laura vai matar você.

-Eu sei. –Soltei um gemido. –Onde ela está?

-No provador, tem quase vinte minutos. –Ela olhou no relógio de seu pulso.

-E o Pedro e a Livi?

-Estão lá dentro com ela. –Ela balançou as mãos e soltou um suspiro. –Acho que o vestido ficou grande de mais.

-Eu falei para não colocar tantas anáguas. –Cruzei os braços e fitei a porta. –A Lana não vai vir?

-Não vai dar para ela vir. Parece que o chefe dela deu uma reunião de última hora. Você tem notícias da Rafa?

-Acho que o Ben passou mal. –Passei a mão pelo rosto. Eu estava tão exausta que o chão era um lugar muito convidativo para tirar uma soneca.

-Você não parece bem. –A Ana tocou o meu ombro e me fez sentar em uma cadeira.

-Eu acho que estou começando a ficar doente. –Sussurrei.

-O que você tem?

-Eu estou enjoada, tenho dores de cabeça e estou ficando cansada muito rápido.

-Você já foi ao medico? –Fiz que não com a cabeça.

A porta ao lado se abriu e o Pedro saiu com um sorriso de orelha a orelha.

-Estão prontas para ver a noiva mais linda do mundo? –Ele anunciou. Eu e a Ana nos entreolhamos e fizemos que sim com a cabeça. –Olivia?

A Livi saiu do provador segurando a mão da Laura, que estava com dificuldades de sair. O vestido era tão absurdamente grande que a atendente que estava atrás da Laura teve que dar algumas empurradinhas nela para que ela passasse na porta.

-Nossa. –A Ana disse sorrindo. –Você está linda.

-Obrigada. –A Laura segurou a tiara que usava e olhou para mim. –Eu vou matar você. –Ela disse entredentes e apontando um dedo para mim.

-Desculpa. –Me aproximei dela. –E eu sinto muitíssimo.

-Você deveria ter me ajudado a colocar ele. –Ela deu um cutucão no meu ombro. –Você é minha madrinha, Emi, lembra?

-Lembro, mas é que eu tive que resolver alguns problemas. E nossa… –Me afastei para olhá-la de cima a baixo. –Você está incrível!

Ela se virou para se olhar no espelho e seus olhos se encheram de lágrimas. Ela estava realmente muito bonita.

O vestido era rendado até a cintura e liso em baixo; ele não era branco, mas sim pérola, o laço ao redor da cintura tinha algumas pedras e cristais.

-Não chore, Laura. –Disse o Pedro, limpando os olhos. –Eu vou chorar também.

A Laura colocou uma mão na boca e soluçou.

-Ficou lindo. –Ela disse com uma voz de choro. –Nunca mais quero tirá-lo.

-Só tem um problema. –Disse a Livi, se abaixando para arrumar o babado do vestido. –Você acha que vai conseguir entrar no corredor com ele e o seu pai?

-Vai ter que entrar. –A Laura arrumou a tiara na cabeça e voltou a olhar o espelho. –Eu vou fazer de tudo para ele entrar. –Ela sorriu.

-Você é a Emili, não é? –Perguntou a atendente com delicadeza, ela conseguia ser mais baixa que eu.

-Sim.

-Só falta você para experimentar o vestido de madrinha. –Ela segurou o meu braço e me levou até o provador. –Você pode se despir ali – ela aponta para um lugar atrás da cortina – eu te dou o vestido por cima.

Faço que sim com a cabeça e entro no provador. Tiro as minhas roupas e alguns instantes depois a atendente me entrega o vestido. Sua cor era vinho e ele era bem logo, sem muitos detalhes extravagantes além das pedras nas mangas.

No começo é meio difícil de passá-lo pela minha cintura e se torna ainda mais difícil fechar o zíper na lateral. Eu começo a achar que ela me deu o vestido errado, porque há dois meses ele cabia perfeitamente em mim.

-Com licença? –Coloco a cabeça para fora das cortinas. –Desculpe, mas eu acho que você me deu o número errado.

-Como? –Ela me olha confusa.

-Ele não está entrando em mim. –Mordo a boca, um pouco envergonhada.

-Será que eu posso? –Ela aponta para mim. –É que às vezes esse zíper é difícil de fechar mesmo. –Faço que sim com a cabeça e ela entra no provador. –Levante o braço, por favor. –Eu faço o que ela pede e o zíper fecha até certo ponto do meu corpo e depois ele não sobe mais. –Murche a barriga. –Ela pede e eu murcho. Ela consegue fechar o zíper. –Como está.

-Muito apertado. –Digo sem ar. –Eu não consigo respirar. Por favor, tire. –Balanço os braços freneticamente e ela corre para soltar o zíper.

-Quando foi à última vez que você experimentou o vestido?

-Não faz nem dois meses direito. –Digo, sem fôlego.

Alguém bate na porta e depois a abre.

-Algum problema? –Perguntou o Pedro.

-O vestido não está servindo. –Tenho certeza de que meu rosto está vermelho.

-Serio? –Ele franze o cenho e entra. –Que estranho, estava servindo em você mês passado.

-Talvez eu tenha pegado o número errado. –Diz a atendente indo até a porta. –Só um minuto.

-Que vergonha. –Digo, depois que ela saiu. –Eu acho que eu engordei. Mas eu não sei como, eu quase não estou comendo essas últimas semanas.

-Você está fazendo dieta? –O Pedro diz brincando.

-Muito engraçado. –Balanço os ombros. –Mas não. Eu estou ficando muito enjoada e tem coisas que eu como ou eu apenas sinto o cheiro que depois eu jogo tudo pra fora.

-Você pode está ficando doente. –Ele cruza os braços. –Eu estava assim também há algumas semanas, mas sem essa coisa de vomitar. –Ele faz uma careta. –Que nojo. Você já contou para o Ethan?

-Não, desde que eu fiquei doente no começo do ano e fui internada, qualquer coisa que acontece comigo ele quer me levar ao hospital.

A mulher entrou no provador trazendo dois vestidos no braço.

-Eu tinha pegado o vestido certo, a costureira pode ter errado na hora de tirar a medida e nós pedimos mil desculpas. –Ela me entrega outro vestido. –Esse é um pouco maior, mas acho que vai servir.

-Obrigada.

Dessa vez o vestido entrou perfeitamente, graças a Deus.

Depois de termos pegado os vestidos, a Laura deu a ideia de irmos para um restaurante chinês, mas só de ouvir a palavra “chinês” o meu estômago se revirou por completo.

-Tem certeza de que não quer comer peixe cru? –Disse a Livi, sua voz sugeria que aquela era a melhor comida do mundo.

-Não mesmo. –Balanço a cabeça. –Eu fiquei de encontrar com a minha mãe na casa dela e depois eu tenho que voltar para o restaurante.

-Tudo bem. Mas vejo você hoje na minha despedida de solteira, não é? –Perguntou a Laura, balançando os ombros animadamente.

-Eu não perderia essa festa por nada. –A abracei.

-Isso mesmo, não perca. –Ela se afastou de mim e começou a andar com os meninos. –Porque amanhã, meu amor, eu serei a nova senhora Antonio. –Os meninos acenaram pra mim, antes de entrarem no carro, enquanto a Laura mandava beijos sem parar.

~

-Filha! –Minha mãe deu um gritinho ao me ver. –Que bom que você chegou. –Ela me deu um abraço apertado o que tirou todo o ar do meu pulmão.

-É bom te ver também, mãe. –Minha voz saiu abafada. –Mas eu preciso respirar.

-Desculpe. –Ela me soltou. –Entre, entre, eu fiz o seu prato preferido. –Ela me puxou em direção a cozinha e me fez sentar em uma cadeira. –Não chega nem perto da comida do seu restaurante, mas eu sinto que comida de mãe é sempre boa.

-Eu tenho certeza de que está maravilhoso. –Sorri.

Ela me ofereceu um prato e depois me serviu a lasanha.

-Onde está o Fernando e os meninos? –Perguntei.

-O Fernando os levou para verem uma colônia de férias. –Ela sorriu e varias ruguinhas apareceram ao redor dos seus olhos. –Eu pensei que o Ethan iria vir.

-Ele não pôde. –Digo, colocando um pedaço de lasanha na boca e estava tão bom que eu quase solto um gemido. –Ele tem uma reunião com o senador Trump. –Balanço a cabeça. –Ou melhor, só Trump.

-Eu tenho certeza que com a ajuda do Ethan, Trump, vai ganhar essa eleição. Ele deve está cheio de coisas para fazer.

Ethan agora trabalha no comitê de campanha. O chefe dele é um senador, ou melhor, um advogado de sucesso que pretende ser senador. Além disso, ele faz pós graduação em economia.

-Você nem imagina.

-E você, querida, como está?

-Bem. –Eu acho. –Estou só estressada com as coisas que estão acontecendo no restaurante.

-Eu já falei para você se afastar um pouco, isso vai acabar te deixando doente, Emi. Desde que você se formou na faculdade, você não para de trabalhar. –Ela toca o meu braço.

-Eu deveria ter ouvido isso antes. –Sorrio.

-Como assim?

-Sei lá, mãe. Eu estou tendo uns enjôos estranhos e as vezes eu fico tonta do nada, sabe?

-Sei. –Ela balança a cabeça. –Isso pode ser alguma virose… – ela faz uma pausa. –Ou gravidez.

Meu corpo desperta e eu fico ereta. Não mexo nenhum músculo.

Nenhum

 Músculo

Minha cabeça trabalha para processar essa palavra, enquanto todo o meu corpo grita: ALERTA! ALERTA! FUJA DESSA! Ele rejeita cada letra dessa palavra como se ela fosse veneno preste a me matar, mas não parece que está funcionando.

Acho que estou preste a desmaiar, porque a minha mãe está gritando comigo, mas eu não a ouço, só consigo ouvir meus pensamentos dizendo: GRAVIDEZ GRAVIDEZ GRAVIDEZ…

-Não. –Digo sem fôlego. –Eu não estou grávida, mãe.

Ela vem até mim e me segura. Ela diz alguma coisa, mas está tudo rodando e eu não consigo prestar atenção.

-Emi? –Ela balança o meu braço. Eu consigo olhar para ela. –Eu só estava brincando, filha. –Ela da um sorriso nervoso.

-Isso não é coisa que se brinque, mãe. –Coloco uma mão na barriga e tampo minha boca com a outra, acho que estou prestes a colocar tudo pra fora. –Eu acho que perdi a fome.

-Ah, não, Emi. –Ela esfregou meu braço. –Querida, eu só estava brincando.

A minha cabeça estava latejando e eu precisava me deitar.

-Será que você pode ligar para o Iago pra mim e dizer que não vai dar para eu voltar hoje? –Massageei minhas têmporas e me levantei.

-Claro. –Ela afagou as minhas costas. –Quer que eu ligue para o Ethan vir te buscar?

-Não. –Minha voz saiu quase em um grito. –Ele vai querer me levar no hospital e eu não quero. Eu só quero deitar no meu velho quarto e dormir a tarde inteira.

-Claro. –Ela sorriu. –Pode ir lá.

Eu subi as escadas até meu antigo quarto. Já fazia três anos que eu não morava mais com a Paula e não dormia mais na minha velha cama. Nossa! Como eu sentia falta de lá.

Quando eu fiz 24 anos o Ethan me pediu em casamento e eu posso dizer que foi um dos dias mais emocionantes da minha vida. Eu me lembro que ele me pediu no dia de sua formatura, durante a festa. Eu demorei alguns bons minutos para responder, porque eu meio que estava em choque e eu me esqueci completamente como se falava. Então eu apenas fiz que sim com a cabeça e ele me abraçou.

Nós não nos casamos na igreja, ou seja, eu não tive um grande vestido como o da Laura e nem uma grande decoração como eu aposto que vai ter no casamento dela. Casar no cartório foi uma decisão mútua, mas a ideia foi mais minha do que dele. Desde então, nós estamos prestes a fazer dois anos casados. Confesso que ainda não me acostumei em ser chamada de senhorita Diehl.

A cama ainda tem o mesmo conforto que me lembro e o meu velho quarto é tão confortável que eu penso em passar umas duas semanas com a minha mãe só para ter o privilegio de dormir nele. Eu sinto tanta falta de tudo aquilo, não que morar estar casada com o Ethan seja ruim, na verdade é incrível, muito mais que incrível, mas ainda sim me da saudade de morar aqui.

Não sei quanto tempo passei dormindo, mas alguém está sussurrando que já está na hora de acordar. Abro meus olhos e lentamente tudo entra em foco e um par de olhos azuis então sorrindo para mim.

-Oi, você. –O Ethan tira uma mecha que estava no meu rosto.

-Oi. –Minha voz sai rouca. –O que você está fazendo aqui?

-Eu liguei para o seu celular e você não atendeu, depois eu liguei para o restaurante e o Iago disse que você estava aqui. –Ele se sentou do meu lado e acariciou meu braço. –Então eu decidi passar aqui quando eu saísse da reunião. Sua mãe disse que você não estava se sentindo bem.

-Ela não tinha que ter te dito isso. –Sento-me na cama com um pouco de dificuldade. –Eu estou bem.

-Quer que eu te leve no médico? –Faço que não com a cabeça.

-Que horas são? –Esfrego os meus olhos e olho para ele.

-Quase sete. –Ele levanta uma sobrancelha.

-Ah, droga! –Dou um salto para fora da cama e calço meus sapatos. –A despedida de solteiro da Laura começa as sete. Nós temos que ir. –Eu seguro a sua mão e corro até as escadas. –Mãe?

-Na cozinha. –Ela grita.

-Eu tenho que ir. –Disse abraçando-a.

-Mas já? –Ela abraçou o Ethan.

-É a despedida de solteiro da Laura, eu não posso perder. E o Ethan tem que ir à despedida do Toni.

-Tudo bem então. –Ela deu um sorriso desanimado. –Quer deixar o carro aí? Amanhã eu o levo pra você antes do casamento.

-Sim, por favor. Fala que eu mandei um beijo para o Fernando e os meninos.

Eu puxei o Ethan até o lado de fora e ele me levou onde tinha estacionado o carro.

-Você quer passar em casa primeiro ou quer que eu te deixe na festa? –Ele perguntou, tirando o carro da vaga.

-Eu preciso tomar um banho e trocar de roupa. Você pegou meu vestido de madrinha do meu carro? –Perguntei, já com um pouco de pânico na voz, eu não posso ter esquecido esse vestido.

-Claro que peguei. –Ele sorriu. –Coloquei no banco de trás.

Eu não sei se era possível, mas parecia que o Ethan estava ficando mais alto nos últimos anos ou eu estava diminuindo. O cabelo dele estava mais claro, ele e o Adam nunca se pareceram tanto como agora.

Eu olhei para ele, uma pequena ruga estava aparecendo entre suas sobrancelhas.

-Aconteceu alguma coisa? –Perguntei.

-Hã… –Ele apertou mais forte o volante. –Meu pai me ligou hoje.

-Sério?

-Uhum… –Ele balançou a cabeça lentamente.

-E aí?

-A Talita… –Ele engoliu em seco. –Deu a luz.

-Ai, meu Deus. –Coloquei uma mão na boca para evitar um grito. –E o que ele disse?

-Quer que eu vá visitá-los no hospital. –Ele mordeu a boca e deu um longo suspiro.

-É menino ou menina?

-Menina. –Ele engoliu em seco. –Vai se chamar Marina.

-É um belo nome. E como o Adam reagiu?

-Ele adorou. Sério, ele ficou muito feliz. Ele sempre quis ter uma irmã, mesmo sendo 26 anos mais velho que ela. –Ele sorriu.

-E você como está?

-Estou bem. –Ele balançou os ombros. –Só porque quando ela tiver a minha idade eu vou ter cinquenta e dois anos não é motivo para eu ficar neurótico, certo? –Ele deu uma rápida olhada para mim.

-Claro que não, aliais cinquenta e dois anos é uma idade ótima. –Passei uma mão em sua coxa e sorri. –Você vai querer vê-la?

-Talvez daqui um mês? –Ele levantou uma sobrancelha. –Ou dois…

-Você não vai poder evitar isso. –Ele parou na garagem do apartamento e olhou para mim. –Querendo ou não você tem uma irmã e eu tenho certeza que você não quer ficar longe dela só porque você e o seu pai não se dão bem. –Segurei sua mão e beijei seus dedos. –E além do mais, você tem que admitir que a Talita é um amor de pessoa e ela iria ficar super feliz se você fosse visitá-los.

-Você tem razão. –Ele deu um meio sorriso. –Acho melhor entrarmos antes que fiquemos ainda mais atrasados.

Subimos de escada até o segundo o andar, porque eu ainda tenho medo de usar elevadores ou qualquer coisa que possa despencar de certa altura, escadas ainda são seguras. Ethan tira um molho de chaves do bolso e fica alguns minutos procurando a chave certa.

-Você precisa de todas essas chaves? –Pergunto. Encosto a cabeça na parede e fechando os olhos.

-Preciso. –Ele abre a porta. –A maioria serve para emergências, como quando você perde as suas chaves. –Ele olho para mim e levanta uma sobrancelha. Eu mostro a língua para ele e entro.

Nosso apartamento não é muito grande, mas é muito aconchegante o que é perfeito para mim. Ele tem dois quarto – sendo que um dos quartos é o ateliê do Ethan, mas que ele usa raramente já que ultimamente ele não tem muito tempo –, dois banheiros, uma cozinha com uma copa, uma sala e uma pequena varanda. Uma vez nós compramos um gato e ele era a coisinha mais fofa do mundo, mas não deu muito certo porque o gato tentou se jogar da varanda três vezes. Nós o devolvemos para o pet shop.

-Eu vou tomar banho. –Eu disse e joguei a bolsa no sofá. –Se a Laura ligar, diga que eu acabei de sair de casa.

-Deixa comigo. –Ele sorriu e se jogou no sofá ao lado da minha bolsa.

Assim que liguei o chuveiro aquela sensação de enjôo voltou. Por um minuto eu deixei meus pensamentos voarem para o que a minha mãe tinha dito mais cedo, sobre a gravidez. Ser mãe não estava nos meus planos, assim como casar. Mas aqui estou eu, prestes a completar dois anos de casada com o Ethan.

Assim que saí do banho, parei em frente ao espelho, limpei o vapor que o embaçava e cutuquei a lateral da minha barriga. Nada. Nada se mexeu lá dentro. Mas eu devo confessar que ela estava só um pouquinho grandinha.

 Eu entrei no quarto e encontrei o Ethan já de banho tomado. Ele estava sentado na cama, abotoando a blusa.

-Você acha que eu engordei? –Deixo o roupão cair no chão e fico só de calcinha e sutiã.

Ele fitou o meu corpo por um minuto, depois olhou nos meus olhos. Era claro a indecisão dele de responder.

-Essa é uma daquelas perguntas que se eu der a resposta errada eu vou dormir no sofá? –Ele levantou uma sobrancelha.

-Não. –Sorrio. –Essa é uma daquelas perguntas que você pode ser completamente sincero comigo. –Vou até o armário e pego um vestido azul.

-Então, não.

-Mentiroso. –Cerrei os olhos e fuzilei seu rosto. –Olha isso! –Cutuquei a minha barriga. –Parece uma geléia.

-Eu não vejo nada aí. –Ele revirou os olhos e se levantou, caminhando até mim. –Mentira. –Ele cutucou a minha barriga também. –É verdade, você engordou um pouquinho. –Ele também cutucou a lateral dos meus seios. –Eles também estão maiores. –Eu olhei para ele e ele sorriu. –Minha pequena baleinha. –Ele apertou minhas bochechas e eu o empurrei.

-Você é desprezível. –Me afastei dele.

-Mas mesmo assim você aceitou casar comigo.

-Eu não sei onde eu estava com a cabeça. –Balancei os ombros e coloquei o vestido e como já esperado o zíper não queria fechar. –Por favor. –Fui até o Ethan e me virei, para que ele fechasse o zíper para mim. –Você tem certeza que não quer fazer nada amanha antes do casamento?

-Tenho. –Ele acaricia a minha nuca com as pontas dos dedos e depois meu ombro, o que me causa pequenos arrepios. –E você esqueceu que combinou com a Rafa de pegar os meninos na casa dela?

-Ah é. –Balanço a cabeça e me sento na cama para calçar os sapatos.

-Me lembre, por que você escolheu ficar com eles amanhã? –Sua voz não pareceu desanimada com a ideia dos meninos virem para cá amanhã, porque eu sabia que ele adorava aquelas crianças tanto quanto eu.

-Porque entre cuidar de crianças e ficar numa sala pequena cheia de mulheres escandalosas, eu prefiro à primeira opção.

Ele se sentou ao meu lado e soltou um longo suspiro. Nós ficamos em silêncio durante um tempo, até que ele falou:

-Amanhã faz dois anos. –Ele segurou minha mão esquerda e beijou minha aliança.

-Quem diria que você iria me aguentar por todos esses anos. –Deito a cabeça em seu ombro e começo a brincar com seus dedos.

-Dez anos que estamos juntos e dois anos de casados. –Ele acaricia meu rosto.

-E eu continuo gostando de você. –Provoco.

-Gostando? –Ele olha para mim com uma expressão incrédula.

-Eu continuo te amando. –Corrijo, com um meio sorriso. –Mas só que um pouco mais.

-Sabe o que tá faltando? –Ele me deita na cama e tira uma mexa do meu cabelo.

Eu sei o que está faltando, mas não quero dizer em voz alta.

-Um cachorro que não seja suicida? –Brinco.

-Quase isso. –Ele beija meu pescoço e depois meu queixo, acho que nunca vou me cansar de seus beijos. –Um filho, meu e seu.

Nós nunca conversamos sobre ter filhos, talvez uma vez ou outra, mas só de brincadeira e ele sabia o que eu pensava sobre ter filhos. Essa é a primeira vez que ele me pede algo assim. Eu não concordo nem discordo. Fico apenas calada, olhando para ele.

-É, talvez… –É a única coisa que eu consigo dizer.

-Sério? –Seus olhos estão tão brilhantes que por um segundo me perco neles.

-Mas vamos pensar com calma, tudo bem? –Me desvencilho de seus braços e vou até a porta.

-Ok. –Ele mal consegue conter a felicidade de sua voz.

Quero contar o que aconteceu hoje mais cedo, na casa da minha mãe. Que a uma pequena possibilidade de que a vontade dele de ter um filho esteja se realizando. Mas não quero me precipitar e essa ideia ainda me assusta.

Há alguns meses atrás cortei meu cabelo um pouco abaixo do pescoço, estou tendo problemas em me acostumar com ele tão curto, então eu desisto de fazer qualquer tipo de penteado e só passo uma escova. Vou até a porta, onde o Ethan está me esperando e nós descemos até a garagem.

Ele me deixa na porta de um bar, que tem uma fachada magenta e uma placa luminosa que está escrito Bayle’s.

-Você volta comigo? –Perguntou o Ethan.

-Não, a Itália vai me dar uma carona.

-Tudo bem. –Ele balança a cabeça.

-Lembre-se, se tiver dançarinas no bar, e se tratando do Toni vai ter, dê uma boa gorjeta para elas. –Pisco para ele.

-E se tiver dançarinos lá, lembre-se, fique longe deles. –Ele segura meu queixo e me beija.

-Não prometo nada. –Desço do carro e vou até o segurança do bar que está barrando uma fila de mulheres, mas ele logo me reconhece e sorri para mim.

-Oi, Emi. –Ele abre passagem para mim.

-Oi Marco. –Dou um rápido abraço nele. –As meninas já chegaram? – O som está tão alto que eu tenho que praticamente gritar para ele me escutar.

-Estão lá dentro.

Assim que entro no bar, meus ossos praticamente começam a vibrar por causa da musica alta. Tem tantas pessoas lá dentro que é até difícil de encontrar a escada que leva até a ala VIP, que por pouco a Laura não consegui reservar.

Para todos os feitos Bayle’s não é um bar de stripper, mas você pode encontrar alguns homens tirando a roupa e tanto mulheres como homens enlouquecidos para poder enfiar dinheiro dentro da sunga deles. A luz colorida da pista de dança pisca e joga luzes para todos os cantos, perco a visão por um momento, mas logo ela volta e encontro a escada.

-Finalmente! –Grita a Ana, levantando um copo na minha direção.

-Você está uma hora atrasada. –Diz a Day, levantando-se para me abraçar.

-É só para não perder o costume. –A abraço.

Cumprimento a Rafa, a Ana e a Itália, depois me sento ao lado da Day.

-Cadê as outras? –Pergunto.

A Day estica o pescoço e olha para a pista de dança.

-Lá. –Ela aponta para o bar. Ergo o pescoço e olho na direção em que seu dedo está apontando e vejo a Lana, a Livi e a Laura rindo de um dançarino que não tem muita experiência. –E você, como está?

-A noite sempre foi à parte do dia que eu mais gosto. –Sorrio. –Então estou ótima. E você?

-Tirando o cansaço, estou muito bem. –Um garçom deixa uma rodada de bebidas na mesa e depois sai. –Deveríamos fazer um brinde a Laura, mas já que ela não está aqui… –A Day balança os ombros e toma de uma vez só a bebida.

As meninas fazem o mesmo, mas eu fico olhando para o copo durante um tempo.

-Você não vai beber, querida? –Pergunta a Itália, de olho no meu copo.

-Agora não. –Entrego o meu copo pra ela e ela da um grande sorriso. Alguma coisa lá no fundo está me dizendo que eu não deveria tomar nenhum tipo de bebida agora, então eu simplesmente sigo seu conselho.

O resto da noite passou voando diante dos meus olhos e os meus pés já estão doloridos de tanto ficar subindo e descendo as escadas para ir até a pista de dança. A Lana pediu mais uma rodada de um drinque rosa e eu recusei mais uma vez. Ela me olhou, desconfiando de alguma coisa, mas logo desviou os olhos.

Nós ficamos no Bayle’s até sermos enxotadas de lá pelo Marco, porque já estava quase na hora de fechar e praticamente só tinha a gente por lá e, além disso, a Laura iria se casar dentro de algumas horas e ela precisava de um descanso. A Itália, a Livi, a Rafa e a Ana a levaram para casa, enquanto eu fui embora com a Day e a Lana.

-Aposto que a despedida de solteiro do Toni não foi tão boa quanto a nossa. –Disse a Lana, dando um risinho.

-Ahh, eu tenho certeza que não foi. –A Day bateu com um dedo no colar que ela tinha ganhado de um dançarino e piscou para mim. –Hey, você já sentiram o meu perfume? –Perguntou ela.

-Na verdade, não. –A Lana se inclinou para cheirar o pescoço dela. –Não sinto nada.

-Abre o porta-luvas, Emi. Ele está lá no fundo.

Eu fiz o que ela pediu e entreguei o vidrinho amarelo para a Lana, ela esborrifou o conteúdo do perfume no ar e cheirou uma vez. Ele tinha um cheiro muito forte e doce. Meu estômago começou a se revirar e ameaçou colocar tudo o que eu comi para fora. Tampei o nariz com uma mão e com a outra segurei bem forte a maçaneta do carro.

-Será que você pode parar o carro? –Pergunto.

-Por quê? –Perguntou a Day, confusa.

-Se você quer que eu não vomite aqui dentro, pare o carro agora!

Ela para o carro bem ao lado do meio fio e eu corro em direção ao mato. Agacho-me e coloco as mãos no chão. Parece que tudo o que eu comi durante o dia foi embora. Depois que eu jogo tudo para fora, meu corpo estremece e eu sinto um calafrio.

-Ei, Emi! –Ouço a Lana correndo gritando logo atrás de mim. –Você está bem?

-Acho que não. –Limpo a boca com as costas da mão e tento me levantar.

-O que aconteceu? –A Day me ajudou a levantar e colocou um casaco nas minhas costas.

-Acho que alguém bebeu além da conta. –Cantarolou a Lana.

-Não é isso. –Coloco as mãos na minha barriga. –Estou só enjoada.

-Você comeu alguma coisa que não devia? –A Day esfrega as minhas costas e me leva até o carro.

-Não. –Sussurro. Minha cabeça gira por alguns segundos. –Será que a gente pode parar em uma farmácia?

-Por quê? –Pergunta a Lana, ela segura a minha mão. –Você não está se sentindo bem? A gente pode ir ao medico se você quiser.

-Não vai precisar. –Dou de ombros e me sento no carro. –Meu caso não é tão grave assim.

Se eu estiver grávida, serei uma boa mãe. Se eu estiver grávida, serei uma boa mãe. Esse virou meu mantra o percurso inteiro até a farmácia. Eu conto para as meninas sobre a minha suposta gravidez e elas ficam extasiadas com a notícia. Elas fazem tantos planos para a minha “gravidez” que eu não posso fazer nada além de rir.

A Day para em frente a uma farmácia que fica aberta vinte e quatro horas por dia.

-A gente compra: Mamãe Feliz ou A Espera de Um Milagre? –Pergunta a Lana, fazendo uma careta para as marcas dos testes.

-A vendedora disse que o mais confiável é Mamãe Feliz. –A Day pegou o teste da mão da Lana e olhou para mim.

-Então vamos levar esse. –Dei um sorriso torto. Grudei as mãos ao corpo para que elas não percebessem a tremedeira.

-Ok. –As duas sorriram para mim e nós formos até o caixa.

-Você quer fazer isso aonde?

-Na minha casa.

-Mas não tem chances do Ethan estar lá?

-Ele vai dormir no Adam hoje. –Mordo a boca e aperto o pacotinho que está entre as minhas mãos para que elas parem de tremer.

Quando a Day para em frente ao prédio eu hesito antes de entrar. Quando eu fizer esse teste, isso mudará a minha vida para sempre.

Se eu estiver grávida, serei uma boa mãe, repito para mim.

As meninas me esperam do lado de fora do banheiro. Antes de seguir as instruções do teste, que são basicamente: faça xixi no palitinho, eu me olho no espelho e solto um suspiro melancólico.

-Você será uma boa mãe. –Sussurro para mim.

-E então? –Pergunta a Day, quando eu saio do banheiro.

-Quantos minutos têm que esperar? –Pergunto.

-Dez. –Responde a Lana sentando-se na cama. –Nesse tempo, o que vocês querem fazer?

-Como está aquele carinha que você estava saindo? –Pergunta a Day para ela.

-O Leonardo? –Ela passa a mão no rosto. –Não deu certo…

Eu não presto atenção no que elas falam. Ando de um lado para o outro, torço as mãos e a boca, mas isso não faz o tempo acelerar. O Ethan vai ficar tão feliz se isso for verdade, penso. Lá no fundo eu sempre soube que ele seria um bom pai, então por que eu estou com tanto medo?

-Já deu o tempo. –A Lana segura o meu ombro e aponta para o banheiro.

-Eu não vou conseguir. –Balanço a cabeça, as lagrimas já estão ameaçando a cair.

-Você quer que eu olhe? –A Day pergunta. Faço que sim com a cabeça e ela vai até o banheiro.

Ela encara o tente e depois a caixinha. Meu coração está prestes a sair pela boca quando eu pergunto:

-E então?

-Deu negativo. –Ela olha pra mim.

-Oh. –É a única coisa que saí da minha boca. –Sério?

Ela faz que sim com a cabeça.

-Isso é bom, não é? –Soluço. –Quer dizer, eu não estava preparada para ser mãe agora. –As lagrimas escorrem pelo meu rosto e eu preciso me sentar para não cair no chão. –E além do mais, eu tenho tanta coisa pra fazer no restaurante que eu não teria tempo para dar atenção a uma criança agora. –Eu sei que lá no fundo isso não é verdade, mas por alguma razão, enganar a mim mesma parece mais fácil no que aceitar a verdade.

-Como você se sente com isso? –Perguntou a Lana. –Como você se sente de verdade, Emi?

-Eu não sei. –Balanço os ombros. –Era esse o resultado que eu queria, certo? –Olho para elas.

-Bem – diz a Lana, se sentando ao meu lado –, que bom, então.

-Como eu sou boba! –Limpo os olhos com as costas das mãos. –Como eu posso ficar triste por perder algo que nunca tive? –Olho para Day e franzo o cenho. –Negativo?

Ela olha para mim por alguns instantes e sorri. –Não, positivo.

Eu me levanto da cama e tampo a boca com uma mão. –O quê?!

-Não deu negativo. Deu positivo.

-Tem certeza? –Pergunta a Lana, colocando as mãos no meu ombro.

-Tenho. Eu estava mentindo. –Ela me entrega o teste e eu fixo o olhar nos dois tracinhos. –Isso quer dizer positivo, certo?

Eu não consigo falar, apenas faço que sim com a cabeça. Eu não sei como, mas parece que um novo tipo de felicidade inunda o meu coração e eu quero chorar, mas dessa vez é de felicidade.

-Meu Deus! –A Lana tapa a boca com as mãos, seus olhos também estão cheios de lagrimas.

-Agora você sabe o que sente de verdade.

Sim, agora eu sei como me sinto. E quero gritar para o mundo e pular e rodopiar por aí, porque estou tão alegre que quase tenho medo que isso possa me fazer estourar em um milhão de confeitos.

-Que brincadeira mais sem graça. –Sorrio para ela.

-Você vai ter um bebê. –A Lana sussurra.

-Vou. –Olho para os dois tracinhos novamente. –Eu vou ter um bebê.

Eu levanto os braços porque eu necessito de um abraço, a Lana me abraça e depois a Day. Eu achei que entraria em pânico se desse positivo, mas na verdade foi o contrário.

~

Acordei com o sol batendo no meu rosto. Ouvi um barulho vindo da cozinha e imaginei que o Ethan já havia voltado para a casa. Eu andei até o corredor, mas parei quando senti o cheiro de ovo. Aquilo me fez correr até o banheiro. Por que chamam de enjôo matinal se eu sinto enjôo todo o tempo?

Sento-me no chão e encosto minhas costas na parede. Levanto um pouco a camisa do pijama e olho para a minha barriga.

-É sério – sussurro baixinho –, isso não é legal. Você não pode fazer a mamãe vomitar toda hora, não é saudável.  –Passo a mão pela barriga e penso que é estranho imaginar que existe uma pessoinha crescendo dentro de você.

-Emi? –A voz do Ethan me desperta e eu preciso correr até a porta do banheiro para trancá-la. –O que houve?

-Eu estou bem. –Ele tenta abrir a porta, mas não consegue. –Só um minuto.

Escovo os meus dentes rapidamente e abro a porta do banheiro. Ethan está parado bem na minha frente, seu cabelo está molhado e ele está apenas de cueca e era quase impossível tirar os olhos dele. Depois de quase dez anos juntos, eu não cansava de ficar o encarando.

-É impressão minha ou você estava vomitando? –Ele coloca um braço na porta impedido que eu passasse e eu tive que me controlar bastante para não o agarrar ali mesmo e levá-lo para debaixo do chuveiro.

-Impressão sua. –Não minta para ele, meu subconsciente gritou comigo. –Quer dizer, sim.

-Você quer me contar alguma coisa? –Ele cerra os olhos na minha direção.

-Feliz aniversário de casamento. –Envolvo seu quadril com os braços e o aperto.

Ele me abraça, um pouco relutante, depois apóia o queixo no topo da minha cabeça.

-Feliz aniversário de casamento. –Ela diz por fim. –Vai me contar o que está acontecendo com você?

-Eu acho que eu comi alguma coisa que não me fez bem. –Afasto-me alguns centímetros para olhá-lo nos olhos. –Eu estou bem. –Ele me olha durante um tempo, decidindo se me questiona ou não. –Eu amo você. –Parece que isso faz com que ele relaxe um pouco. –Eu preciso ligar para a minha mãe. –Digo e passo rasteiramente por ele.

Mas antes que eu consiga chegar até a minha bolsa ele agarra minha cintura e me deitada na cama.

-Não sei se quero ir nesse casamento hoje. –Ele sussurrou enquanto roçava os lábios na base de meu pescoço.

Eu tento formular uma resposta, mas nada vem a minha cabeça. Ele me aperta contra seu corpo e seus lábios sobem até meu queixo, antes que ele beije meus lábios, eu digo:

-A gente precisa ir. –Como eu não demonstrei resistência alguma, ele passou a mão pela minha bunda enquanto puxava a calça do pijama. –Nós somos padrinhos, Ethan. –Eu disse isso mesmo ou apenas sussurrei?

-Eles podem arranjar outros. –Ele tirou a minha blusa e traçou uma linha de beijos até o meu umbigo. –E pra ser bem sincero, ninguém mandou eles se casarem no mesmo dia que a gente. –Ele voltou a me beijar.

Eu estava prestes a aceitar a proposta dele, estava prestes a ficar ali deitada ao lado dele e aproveitar cada momento, quando eu me lembrei que essa não seria a coisa certa a se fazer hoje. Eu o coloquei de costas contra a cama e coloquei uma perna de cada lado de seu quadril.

-Você sabe que isso não é certo. –Coloco um braço de cala lado de seu rosto e me aproximo de seus lábios. –Nós precisamos ir.

-Mas nós temos a manhã inteira só pra nós dois, não podemos aproveitar? –Ele acaricia minhas costas.

-Na verdade, não. Eu preciso ligar para a minha mãe e pegar os meninos na Rafa. –Beijo seu pescoço e depois beijo a ponta de sua orelha.

-Mas nem uma rapidinha? –Ele diz brincando e da um sorriso malicioso.

Um desejo ridículo de rir borbulha dentro de mim, mas eu mantenho a cara de séria e digo calmamente:

-Você sabe que eu não sou mulher de rapidinha. –Digo num tom provocante e extremamente sexy que nem eu mesma sabia que poderia ter. –Eu gosto de aproveitar cada minuto. –Beijo seus lábios. –Rapidinhas não funcionam comigo.

O ouço rir enquanto vou até o outro lado da cama para pegar meu celular.

-Você adora fazer isso comigo, não é? –Ele se senta na cama e pega um travesseiro e o coloca entre suas cochas.

-Fazer o quê? –Perguntou num tom inocente.

-Me provocar. –Ele revira os olhos.

-Olha, talvez eu possa abrir uma exceção para você e quem sabe a gente não pode tomar um banho juntos? –Minhas mãos param na maçaneta do banheiro e eu mordo os lábios. –Ah é. –Bato com a mão na minha testa. –Desculpa, você já tomou, não é? –Minha voz sai rouca.

Ele balança a cabeça lentamente, indignado e se joga na cama.

Mando uma mensagem para minha mãe dizendo que ela estava certa sobre a gravidez, como sempre, ela começa a me mandar algumas mensagens estranhas e eu imagino que ela está pirando nesse momento. Pergunto se ela pode marcar um horário com um obstetra amigo dela. Eu pensei muito e acho que deveria dar essa notícia para o Ethan como presente de aniversário de casamento. Isso, com certeza, irá deixá-lo muito feliz.

Eu encontro com a minha mãe e a Pri na sala de espera e a Paula parece tão feliz que eu não posso deixar de sorrir.

-Oh, querida. –Ela me abraça. –Estou tão feliz por você.

-Obrigada, mãe.

-Onde está o Ethan? –Ela estica o pescoço para olhar se tem alguém atrás de mim.

-Eu ainda não contei para ele. Quero que seja surpresa.

-Parabéns, Emi! –Diz a Pri, me dando um abraço.

A Pri, por sorte, não puxou o lado da família que é baixinho, ela está alguns centímetros maior que eu, o que é um absurdo pra uma garota de quatorze anos. Ela puxou o cabelo claro da família do Fernando, mas ela se parece muito comigo e com a minha mãe quando mais jovens.

-Parabéns pra você também, titia. –Sorrio para ela.

-Eu prometo que serei uma ótima tia. Vou levar ele ou ela para as melhores festas. –Ela deu uma piscadela para mim.

-Menos, não é Pricilla? –A Paula cerra os olhos para ela.

Enquanto esperávamos na sala, meus joelhos não paravam de balançar. Olho para a Paula e penso em qualquer coisa para me distrair da ansiedade.

-Você tem notícias da Ellen? –Pergunto.

-A última vez que ela ligou ela ainda estava namorando aquele cara russo. –Ela passou as mãos no rosto e suspirou.

-Na verdade ela só está com ele por causa do dinheiro. –Comentou a Pri.

-Essa eu tenho que concordar. Ele é muito velho pra ela e a gente sabe por que a Ellen está com ele e eu posso dizer que não é por amor.

-Emili Diehl? –Pergunta uma enfermeira.

-Sou eu. –Levanto a mão.

-Por aqui. –Ela aponta para um corredor.

-Vocês vêem comigo? –Pergunto para a Paula e a Pri.

-Não perderia isso por nada.

A enfermeira pediu que eu deitasse na maca enquanto o medico não chegava. A minha mãe se sentou em uma cadeira, ao meu lado e a Pri ficou ao lado dela.

-Bom dia, para todas! –Disse um senhor, que deveria ter quase sessenta anos. –Que bom ver essa sala cheia de mulheres bonitas. –Ele deu um sorriso simpático e apertou a mão de minha mão. –Que bom revê-la, Paula.

-É bom te ver novamente, Rogério. Essas são minhas filhas, Emili e Pricila.

-Que prazer em conhecê-las. –Ele apertou a minha mão e depois a da Pri. –Então, Emi. –Ele pegou a minha mão. –É seu primeiro filho.

-É sim. –Sorrio.

-Meus parabéns, então. –Ela aperta o meu ombro. –E onde está o pai?

-Eu quero fazer uma surpresa pra ele. –Aposto que estou sorrindo que nem boba. –Hoje nós completamos dois anos de casados e eu queria dar essa notícia como presente.

-Ah, com certeza vai ser um ótimo presente. –Ele pede que eu levante um pouco a blusa e depois passa um gel, meio gelado, na minha barriga. –Este é o seu útero. –Ele aponta para uma parte escura da tela. –Está vendo.

Seguro a mão da minha mãe e faço que sim com a cabeça.

-E, bem aqui… –Ele aponta para uma manchinha um pouco mais clara. –Está o bebê.

-Oh, meu Deus. –Minha mãe coloca a mão na boca e eu sei que ela está se segurando para não chorar.

Eu olho para a tela mais uma vez e lagrimas começam a cair.

-Parece que você está de seis semanas, está bem com o seu bebê. –Ele olha para mim e sorri. –Parabéns, mamãe! –Ele aperta o meu ombro de novo e sorri. –Você quer uma foto? –Quando eu não respondo a minha mãe faz que sim com a cabeça. –Tudo bem, só um minuto. –Ele se levanta e saí da sala.

Quando o meu choro fica mais intenso, a Paula envolve os meus ombros. –Impressionante, não é?

-Mas, eu não vejo nada. –Eu digo entre um soluço.

-Como não? –Ela franze as sobrancelhas.

-Não consigo ver! –Aponto para a tela. –Eu já sou uma péssima, mãe.

-Emi –Ela me faz sentar na maca e se aproxima de mim. –Claro que consegue. Veja. –Ela apontou para a parte mais clara. –Está vendo essa manchinha que parece um amendoim? –Faço que sim com a cabeça. –Então, querida, esse pequeno amendoim é o seu bebê.

A sensação de enxergar essa coisinha, por mais que ela seja só uma manchinha cinza é tão incrível. Pensar que daqui a alguns meses ela vai estar nos meus braços me deixa com uma vontade enorme de sair pulando de felicidade.

-Você imaginava que ia ficar tão feliz? –A Pri pergunta, esfregando o meu braço.

-Não. –Balanço a cabeça. –Pra alguém que nunca imaginava em ter filhos eu estou muito feliz. –Sorrio.

O Dr. Rogério aparece com uma foto do ultrassom e me entrega. –Você já sabe como vai contar para o seu marido?

-Sim. –Digo, passando um dedo pela foto.

-Então no próximo ultrassom, por favor, me diga qual foi à reação dele. –Ele diz rindo. –Na próxima vez nós já poderemos ouvir o coração do bebê.

-Mas já? –Levando uma sobrancelha.

-Sim! Os bebês se desenvolvem muito rápido. –Ele passa um pano na minha barriga, limpando o gel e se levanta novamente. –Você já está liberada, Emi.

-Muito obrigada. –Digo, apertando as mãos dele.

O médico disse que eu estou com seis semanas de gestação. Se eu fizer as contas direitinho, há seis semanas eu estava em Porto Alegre, visitando a família do Ethan. Nós ficamos na casa de um amigo dele e bem… Digamos apenas que pílulas me deixam com dor de cabeça. Antes de passar na casa da Rafa, eu paro em uma loja e compro um álbum de fotos prateado.

Há dois meses atrás, no aniversário do Ethan, eu tinha planejado em dar um álbum cheio de fotos nossas para ele. Mas eu havia esquecido de comprar o álbum, então não deu muito certo. Agora parece uma ocasião boa para dar o álbum para ele, como presente de casamento. Eu vou colocar a foto do ultrassom no final do álbum e espero que ele tenha uma grande surpresa.

Estacionei o carro em frente à casa da Rafa e ela e os meninos já estavam a minha espera, sentados nas escadas.

-Tia, Emi! –Gritou o Ben, ele correu até mim e me abraçou.

-Você está crescendo muito rápido, não está não? –Bagunço sua cabeleira loira.

-Eu também acho. –Ele sorriu e pequenas covinhas aparecem em sua bochecha.

Lembro-me como se fosse ontem o dia em que ele nasceu. Ele era tão pequenino e gorducho. Agora, Ben, com nove anos, quase me passa. Ele tem o cabelo loiro e os olhos claros como a Rafa, mas sua fisionomia parece muito com o Pietro.

-Você chegou cedo. –Disse a Rafa. –Achei que ia se atrasar. –Ela sorriu.

-Não faço mais isso. –Sorrio. Agacho-me e fico na altura da menininha a minha frente. –Pequena Lily-Rose. –Ela da um sorriso envergonhado e envolve meu pescoço com os seu pequenos braços.

-Oi, tia Emi. –Ela me abraça. Eu a pego no colo e a levanto.

-Como você está? –Pergunto, afastando uma mecha de seu cabelo que cai nos olhos.

-Bem. –Ela sorri.

-Tem certeza que vai querer ficar com eles? –Perguntou a Rafa. Ela entregou uma bolsa grande para o Ben e ele a levou até o carro.

-Não vai ser sacrifício nenhum. –Sorrio para a Lily. –Eu os adoro.

-Mas você não fez nenhum plano com o Ethan hoje, antes do casamento? –Eu coloquei a pequena Lily-Rose no chão e ela correu até o irmão.

-Nada em especial. Provavelmente a gente vai sair amanhã. –Levanto os ombros. Ela olha por cima dos meus ombros e depois olha para mim.

-Não deixe que o Ben jogue videogame. –Ela sussurra.

-Por quê?

-Ele levou uma ocorrência na escola. –Ela balançou a cabeça. –Ele jogou uma bolinha de papel na professora. –Ela cruzou os braços e soltou um suspiro. –E ontem, quando eu cheguei da despedida da Laura, ele estava comendo uma caixa de cereal sozinho. –Ela faz uma pausa e olha para o carro. –Eles estão indo embora sem me dar nem um beijo!

-Como eles ousam?! –Cruzo os braços a balanço a cabeça fingindo uma indignação.

-Eu não sei! –Ela deixa os braços caírem ao lado do corpo. –Quando você tiver os seus, saberá o que eu estou passando.

Eu olho para ela só por alguns minutos antes de desviar os olhos. –Pois é, não é?! E isso não deve demorar muito. –Sussurro. –Eu vou indo, você tem que ir para a casa da Laura, certo?

-Isso. –Ela me da um beijo e da uma última olhada para o carro. –Cuida deles pra mim, tudo bem?

-Você sabe que eu cuido. –Sorrio.   

Tem cap hoje ne? *o*
♥ Anonymous

Tem, sim! \o/\o/

Uhuu!!

1 week ago 0 notes Reblog
Sabe que dia é hoje????? Terça! Hahaha
♥ Anonymous

Siim!! hehe Eu sei!

E eu vou postar hoje sim, não se preocupem >< 

1 week ago 0 notes Reblog